terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ettore Scola aposentado

Luiz Carlos Merten - O Estado de S.Paulo
Você está preparado para receber a notícia? Nunca mais os filmes de Ettore Scola! Não, o cineasta está vivo, e bem, mas como o polonês Krszystof Kieslowski, anos atrás, Scola tornou pública sua decisão de abandonar o cinema em caráter irrevogável. O anúncio foi feito numa entrevista à revista Il Tempo, após a projeção, em Pesaro, do curta 1943/1997. O filme trata das detenções feitas pelos nazistas no gueto de Roma, em 1943. Scola despede-se do cinema após mais de 50 anos de atividades como roteirista e diretor. Ele não apenas colaborou com grandes autores - Dino Risi, principalmente -, como deixa o legado de uma obra rica e complexa.

Justificando sua decisão, Scola disse que não quer fazer como "aquelas velhas senhoras que colocam saltos altos e muito batom para estar com os jovens e sentir-se como um deles". Para não vir a ser uma caricatura de si mesmo, ele se aposenta. "Tudo começou de forma casual e foi uma decisão natural", explicou. Scola escreveu o roteiro e fez a pré-produção de um novo filme com Gérard Depardieu. Quando estava tudo pronto para iniciar a rodagem, deu-se conta de que não queria mais fazer o filme - nem nenhum outro. "É finitto", acabou, disse.

O fato de estar acabando com o cinema não significa que o cinema esteja acabado, para ele. "Hoje, o mercado é que faz as escolhas. Não que antes ele não fosse importante, mas havia mais espaço de autonomia e de exceções. Os próprios produtores estavam mais dispostos a arriscar. Existem jovens eficientes que continuam dando dignidade ao cinema, mas são justamente eles que me fazem entender que é preciso uma energia e um tipo de contatos que não tenho mais."

Continua O Estado de São Paulo




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