“O que Resta...” é instigante para olhos e cérebros ocidentais comuns, pouco familiarizados com o mundo árabe-israelense e seus conflitos familiares, filosóficos, políticos e religiosos autoalimentados há séculos.

Elia no papel dele mesmo entra mudo e sai calado do filme, abre a boca apenas para fumar e beber com os amigos em cenas onde só os gestos e, principalmente, os olhos falam. São olhos perturbados, aflitos, cheios de interrogação e espanto, difíceis de penetrar.
Fiquei dois dias pensando naquela metáfora, achando que não entendi a mensagem. Até ontem, antes de ver as fotos dos conflitos de populares brigando entre si no Egito. A polícia e o exército o que fazem? Olham, acompanham com os olhos.
Tem explicação? Acredito que não na lógica ocidental. Essa é a metáfora que o diretor nos aplica ao contar a divisão, e a resistência, simbolizada em sua família, dos palestinos após a chegada dos judeus, quando uns ficam no novo estado, outros nos territórios ocupados e mais outros em países vizinhos.
Para disfarçar o profundo estado de tensão, que vai da primeira até a última cena, Suleiman faz um filme usando o humor e a ironia sempre no extremo. Uma das melhores é quando um palestino sai de casa para colocar o lixo no coletor do outro lado da rua.
Quando está voltando para dentro de casa o celular toca e ele fica andando de um lado para outro, acompanhado pelo canhão de um tanque, também de um lado para o outro. Existem outras, memoráveis. Vale a pena ir na locadora.
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